“Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenham medo; pois eu sei que buscam a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Venham, vejam o lugar onde o Senhor jazia. Vão pois, imediatamente, e digam aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E ele vai adiante de vocês para a Galiléia; ali o verão. Eu tenho lhes dito. (...) E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu lhes saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. Então Jesus disse-lhes: Não temam; vão dizer a meus irmãos para irem à Galiléia, e lá me verão”. (Mateus 28.5-10)

  O grão de trigo caiu em terra para morrer e frutificar como primogênito entre muitos irmãos porque era parte do plano que ele levasse muitos filhos à glória.  Não há beleza real na salvação pela morte do cordeiro se não temos uma visão da glória da ressurreição. Para anunciar salvação em Cristo não podemos estar restritos a justificação pelo sangue que embora sendo uma obra eterna, permanente e invariável, é necessária como meio para efetuar a verdadeira salvação que recebemos em nossa união com o Cristo ressurreto. É do poder da ressurreição que nos vem a capacidade de demonstrar o poder do evangelho sobre o coração e a vida.Sem a ressurreição de Cristo, além de comer, beber e depois morrer, nada mais nos restaria nessa vida a não ser mostrar através do duro esforço da carne o quanto nos tornamos bons hebreus. 

  O progresso em nosso testemunho não acontece por um acúmulo de conhecimento intelectual da verdade. Além de ser justificado pela fé e receber dons que são as dádivas da graça para todos os homens, o crente deve progredir nessa mesma graça, e avançar para o que é perfeito. Deve ser melhor hoje para ser melhor amanhã do que é hoje e isso não seria possível sem a união de nosso espírito com Espírito do filho glorificado. Mas quem se une a Cristo é um espírito com ele.  

  Infelizmente poucos de nós sabem que o objetivo dos ensinos básicos dos apóstolos no novo testamento é nos conduzir à obediência pela fé inicial até que venha o poder da vida que nos dá liberdade para obter vitória contra o pecado quando ele jaz à porta. Provera Deus se para cada um de nós chegasse o dia de compreender sua real posição em Cristo com base no conhecimento dessa vida. E isso se aplica também ao caminho da Igreja. Não há como fugir. A carreira cristã e o caminho da igreja será uma experiência viva e vitoriosa somente através de nossa união plena com a vida que vivifica os mortos.

  A base dos ensinos dos apóstolos era a ressurreição de Cristo e o testemunho da Igreja dos apóstolos, a vida de ressurreição. Paulo avançou em seu testemunho e estava pronto a encorajar seus irmãos. Sem o poder da vida, mesmo após uma conversão verdadeira é possível que a força inicial da conversão se reduza, o progresso na caminhada desapareça e nossa pregação se esvazie do poder que soprou nas narinas dos apóstolos a nova vida que iria adiante deles. Sem o poder da vida nossas melhores obras não são melhores que aquilo apresentado como efeito da boa filosofia. Nós porém,temos desgastado a mensagem do crucificado embora reste-nos pouca alegria pela consumação da obra completa. 
  
  Mas graças à soberana intervenção divina, o avanço necessário para renovação da vida na Igreja jamais falhará. Deus em seu imenso amor tem socorrido gerações mortas, levando seus filhos à experiência de noites de escuridão, vazio, desânimo e cansaço. As vezes esse  é o único recurso para forçar a Igreja a olhar para o alvo e, romper pela fé vencendo suas metas até o dia final. Sem esse arranjo soberano estaríamos agarrados ao que possuímos, o evangelho seria progressivamente rejeitado e o mundo jamais conheceria o verdadeiro poder de Cristo que excede todas as melhores obras dos homens. Aqueles que de fato entenderam a necessidade de abandonar o que para trás fica pelo desejo de seguir adiante onde Cristo vive, serão confrontados com a distância entre suas obras e o alto padrão do alvo de nossa vocação. 

  É Deus quem dá o crescimento, mas isso se concretiza na realidade da vida que encontra seu real significado em nossa união com o Espírito do Cristo que ressurgiu. Mesmo que isso nos custe sofrimento e dor, se formos sinceros e diligentes buscadores da verdade, se estivermos entre os inconformados com o mero conhecimento intelectual da mensagem do evangelho, certamente haverá mudança de perspectiva interior e o Senhorio de Cristo será revelado com poder desde nosso coração até os confins da terra. Se isso acontecer de forma coletiva um novo sopro de vida invadirá as trevas de tal modo que seremos transformados além do que podemos imaginar.Que possamos crer nisso. 

  Não somos melhores que os discípulos que estavam tristes e choravam antes de receberem renovo pelo sopro da verdade. Depois de consumada a obra da cruz, depois da remoção dos seus pecados, eles ainda estavam tristes e sem entendimento. Mas ao receberem a bênção da nova vida, adoraram, e com grande exultação retornaram para Jerusalém. (Lucas. 24-52) Essa alegria, esse júbilo, esse consolo, essa realidade plena, não podem ser verificados em alguém que recebeu a obra da graça, crendo apenas na morte do justo pelo pecador. É na vida de ressurreição que o Messias vem para nos governar e revelar seu senhorio definitivo subjugando o espírito da carne enquanto estamos aqui. Foi na ressurreição que ele nos deu vida nos identificando com ele. Não em sua morte. 

  Perante o olhar incrédulo de seus discípulos judeus, ele demonstrou sua autoridade sobre a morte ordenando às mulheres que anunciassem a ressurreição aos discípulos enfraquecidos pelos acontecimentos que cercaram a crucificação do mestre. Às mulheres foi dada a graça de indicar o caminho da ressurreição aos discípulos guiando-os ao lugar de encontro com o Cristo ressurreto. A uma certa mulher Cristo se revelou de maneira sobrenatural como aquele que é “Raboni”, o mestre dos mestres. Isso é o poder da ressurreição! Contra todo argumento da lei, contra toda condenação que pesava sobre as mulheres, Jesus enviou adiante de si um anjo para falar da ressurreição primeiramente às mulheres. 

  Depois da ressurreição suas palavras transformaram com vida e poder o coração dos discípulos. E isso é o poder da via sobre a morte. Sem ele seria impossível a um hebreu aceitar qualquer mensagem espiritual da parte de uma mulher. Há um homem no céu e nós estamos neleImaginem a repercussão dessa obra diante das hostis infernais da maldade!

   A vitória da vida sobre a morte é a marca da ressurreição, a prova de que tudo está de fato consumado e nada mais resta por fazer. Foi na ressurreição e não na cruz que ele despojou principados e potestades e os expôs publicamente triunfando em si mesmo. Depois de sua aparição como homem ressurreto Jesus esclareceu definitivamente quem ele era e ao que veio. E fez isso entregando-nos a mensagem mais potente e gloriosa que a humanidade já recebeu: “Subo para o meu Deus e o vosso Deus, meu Pai e vosso Pai”. 

Aleluia, a vida venceu, há um homem no céu!

Ivaneide Aquino