24/12/2015 08:56

MEU EVANGELHO

                                               
  Amo o evangelho do meu salvador e com paciência espero a manifestação de sua imagem. Caminho, não para me acomodar a algum tipo de conformação com os padrões desse mundo. Não para encontrar alegria em outro bem que não esteja associado á perfeição que nos aguarda no topo do Monte. Quem viu a glória de Cristo não terá prazer em ostentar qualquer glória sujeita a se desvanecer. Quem viu a glória do templo sabe com quem anda, para onde vai e a quem pertence.

  Não entendo como algo produzido pelo esforço humano pode ser aceito como sendo o escopo da vida cristã. Como a boa educação que humaniza pessoas e transforma homens e mulheres caídos em pecadores tão adestrados e éticos quanto distantes da glória do evangelho pode satisfazer um coração que afirma amar a  Deus. Sei o quanto o cheiro do suor que nos transforma em hebreus irrepreensíveis fere as narinas dele.

  Espero algo maior que rodar no deserto da vida, buscando o melhor pedaço na divisão do bolo que alimenta vaidades e paixões humanas. Me recuso a labutar por algo que seja menor que um fruto gerado e produzido no Reino do meu Senhor. Ainda que sendo menor, fraca e oprimida como todas as mulheres pobres do mundo, jamais aceitaria um tipo de poder espiritual que me impelisse a superar meu semelhante para angariar coisas dessa vida. Por mais extrema que seja minha fraqueza, não estou impedida de conhecer as prioridades de meu Deus e defender aquilo que é supremo para ele. É com base em tais certezas que  avalio meu progresso espiritual e desempenho no exercício da vida cristã, não pelo que ganhei, mas  pela quantidade de passos na busca da perda de mim mesma. É estranho isso, há períodos muito ruins, mas é assim que funciona.

  Guardo no silêncio de meu coração a fé que mantém meus olhos no alto para crescer e me envolver cada vez mais com o outro Reino enquanto vivo neste aqui. Minha verdadeira história tem suas bases no sangue daquele amor encarnado que caiu na terra para gerar outras vidas. Mas sei que dentro de um vaso terreno formado de barro sua vida não poderia habitar. Desde Adão a velha vida que animava o barro não podia se misturar á vida celestial. Como azeite não se mistura a água essa união seria incompatível. A carne não pode agradar a Deus. Quando o filho veio para ser o bom prazer do Pai, a vida terrena cumpriu seu propósito e chegou ao fim. Gotas de vida celestial se esvaíram do corpo de meu salvador e a vida de Adão acabou ali. Era apenas uma questão de tempo para se cumprir um propósito eterno. Adão acabou. A velha vida morreu. Ou melhor, Jesus Cristo morreu em seu lugar, pois se Adão morresse segundo o decreto, seria o fim da esperança para todos nós. É a ressurreição que nos salva dos grilhões da morte. Aquela substituição do justo pelo pecador, foi tão necessária quanto é impossível ao homem ressuscitar a si mesmo. O Pai a vida do filho a nós e nos ressuscitou nele. 

  Me recuso a crer que Ele morreu apenas para me ensinar uma nova maneira de viver a velha religião. Que se envolveu tão humilhantemente com a sujeira de minha culpa para me acorrentar a uma doutrina mais limpa e mais justa. Não creio em reforma da velha humanidade, mas no seu fim. Não tenho qualquer esperança no homem adâmico que foi destruído na cruz quando Jesus expirou. 
E a não ser pelo fato de Cristo ter ressurgido dos mortos para nos unir a ele em sua vida, nenhum de nós teria qualquer esperança de salvação. Qualquer ensino que se assemelhe ás soluções psicológicas de autoajuda são, portanto, abomináveis do ponto de vista da vida de Deus. O homem não é uma máquina com defeito nem a Igreja uma oficina. Na verdade a graça nos alcançou a tempo de sermos feitos filhos de Deus e assim se cumpriu a ordem da criação manifestada pela palavra. Pois o que se semeia não nasce se primeiro não morrer.

  Quando o sangue desse justo se derramou no solo terreno, depois de revelada a palavra pura de seu evangelho e enviado o Espírito da verdade que é a vida do próprio Deus, então a criação perfeita pode se manifestar. Esse Espírito, essa vida que o mundo não pode receber nos transformou em filhos de Deus. Só poderia ser dessa forma. Não há alívio possível para a natureza humana. Não há qualquer possibilidade de reforma em nossa natureza carnal e maligna. Deus nos criou á sua imagem, mas nos formou primeiramente com uma natureza animal. Essa era a condição da espécie em seu primeiro estágio. Deus quis assim. Primeiro a natureza animal. Primeiro o natural depois o celestial.

  Só posso aceitar a morte de Jesus nesses termos. Como o cumprimento de um desígnio eterno. Ao revelar ao mundo a  vida celestial ele estava iniciando uma obra poderosa, capaz de atingir toda a criação que depende da manifestação dos filhos de Deus para resplandecer a perfeição idealizada no projeto eterno. Mas escolheu habitar em um corpo de carne, para que diante dele todo joelho se dobre e nenhum homem tenha absolutamente nada do que se gloriar.Adão em sua primeira condição de homem inocente estava nu e não revestido. Sua natureza animal era idêntica á nossa. Porém foi após o conhecimento da lei que ele se tocou que possuía uma natureza carnal. A lei abriu os seus olhos e ele viu seu coração pecaminoso. É isso que as escrituras dizem, é nisso que creio.

  Por isso afirmo que é na ressurreição de Jesus que ganhamos vida, não em sua morte, nem no conhecimento da lei. Após a ressurreição nos tornamos participantes da natureza de Cristo pela primeira vez. Isso é o evangelho que Adão não conheceu, a vida que ele não recebeu. Me recuso a reduzir a glória da cruz aceitando religião como substitutivo da vida do filho de Deus. Ao contrário da vida de Adão a vida de Cristo é celestial e não terrena, espiritual e não carnal. Creio no poder dessa vida e sei que esse mesmo poder ressuscitará os mortos.

  E se alguma coisa sofro pelo evangelho, se há algum esforço diário em minha vida, se me reduzo e me humilho diante dele, é pela esperança de alcançar essa vitória. Pela grandessíssima promessa de tomar parte na glória divina incomparável e superior a tudo que pode ser apresentado como fruto de meu esforço. Caminho dia após dia com o coração repleto dessa alegria que as vezes parece solitária demais para que eu possa suportar. Sem nenhum temor ou receio de estar errada, afirmo que essa sensação de solidão se cumpre em meus irmãos. Esta certeza me revigora. Pois ainda que momentaneamente estejamos espalhados pelos quatro cantos da terra, somos filhos, membros da grande família de Deus Pai.

  Sigo em frente por que sei que adiante de mim está a vida que é infinitamente mais preciosa que qualquer coisa que deixei pra trás. Cristo em nós é maior que tudo que o mundo de Adão tem a nos oferecer. Diante da esperança de receber essa vida, todas as religiões do mundo têm o mesmo efeito de uma mágica enganadora depois de quebrado o encantamento. Resta-me muito pouco a desejar nessa vida. Mas aguardo ansiosamente pela manifestação da glória do evangelho em mim e em todos os meus irmãos. É esta expectativa que move meu coração para prosseguir.


Ivaneide Aquino





21/12/2015 21:20

O REINO DE DEUS E O MUNDO

         
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. (I João 2:15.16)

   O conhecimento da verdade nos liberta da escravidão de um gigantesco sistema conhecido no novo testamento como poder do mundo tenebroso ou sistemas do principado das trevas. E enquanto pertencemos ao mundo, somos influenciados pela natureza, pelo clima, pelas leis da física pela política, economia e religião. O mundo como o vemos, governa nossa alma desde que caímos na crença do reino do mundo. De forma muito natural e espontânea nos apegamos ao sistema da mentira e a lei do pecado se apegou a nós, mas este mundo da aparência que passa, não é o Reino de Deus, Não há verdade nem sabedoria nele. Nós não somos do mundo, a eternidade está em nosso coração. Somos propriedade de Deus. É por isso que sempre que nos voltamos para este mundo ficamos insatisfeitos.

   Não nos enganemos. Somente aqueles que aprendem a manter sua atenção nas coisas do Espírito podem usufruir da verdadeira liberdade e conhecer a verdadeira alegria. Porque somente nesse tipo de pessoa haverá lugar para a verdadeira satisfação que vem de Deus. Toda vez que abaixarmos nosso olhar perderemos a  chance de andar sobre as águas e  Cristo se levantará para nos dizer que o seu Reino não é deste mundo.

  A necessidade de abandonar nossas esperanças no reino do mundo para obtermos uma experiência da vida de Deus e seus desdobramentos, é o segredo de todos os profetas e santos que pavimentaram o caminho antes de nós. Mas isso parece algo cada vez mais distante de nossa realidade quanto mais o tempo de nossa redenção se aproxima. Isso é assim, porque após algum tempo andando por fé, a certa altura da caminhada, as seduções incidem contra nós com maior força. À medida que o tempo avança aqueles que estiverem atentos perceberão o quanto é necessário se refugiar em Cristo. Outros se deixarão vencer pelo mundo. 


  Todos os que foram despertados do sono, viveram a experiência de ter os olhos do coração iluminados por Cristo e aqueles que em certa medida centralizam Cristo em suas buscas, encontraram segurança, proteção e paz, mesmo em um mundo combalido pela desesperança, corrupção, declínio social e guerras. É em meio a situações extremas que temos a oportunidade de perceber que embora o evangelho tenha sido apresentado para nós apenas como uma doutrina mais perfeita, ele é de fato a manifestação da imagem do filho de Deus.
  
 Circunstâncias fortuitas produzidas pelo mal no mundo transformam os períodos mais terríveis de nossa experiência humana em ricas oportunidades de conhecer que o evangelho é o poder de Deus para todo que crê. A maior experiência dos que são nascidos de Deus é vencer o mundo se movendo nele sem pertencer a ele, sem se deixar afetar por seus males ou se render aos prazeres que há nele. Pois nem o desejo desenfreado da carne, nem a cobiça dos olhos ou a soberba da vida, vem do Pai, mas vem do mundo. Se ainda classificamos as coisas do mundo entre boas e más, aceitamos como bondade o que o mundo reconhece como sendo bom e rejeitamos o que o mundo considera mau e pernicioso, estamos presos ao reino do mundo, guiados pelo principado que atua no mundo e não vimos o Reino de Deus. Nossa rendição a Cristo implica peremptoriamente em vencer o mal e o bem do mundo pela fé na verdade.

  Muitos de nós sentem-se aborrecidos com o pensamento corrente mundano, mas poucos compreendem que quando Jesus falou sobre as aflições que teríamos no mundo, ele estava nos identificando com ele em suas aflições, deixando-nos a esperança de vencermos o mundo pela fé.  É na força do Espírito que está a nossa força. Nossa fé é o poder que vence o mundo, e esse poder será cada vez  mais constante e eficaz, quanto maior nossa certeza que a vida que recebemos é a vida de Deus se movendo em nós. O quanto isso é verdadeiro para mim e para você, determinará nossas reações frente ao bem e o mal e será o um medidor fiel do quanto amamos o que há de bom no mundo ou tememos infortúnios dessa vida. No homem que ama o mundo não está o amor do Pai, de igual modo, aquele que teme os poderes desse mundo, ainda não aprendeu a confiar no Cristo que recebeu. 

   Temos o dever de expandir o Reino do céu enquanto estamos aqui. Mas voltar-nos para o mundo com o intuito de corrigir suas incongruências, demonstrará apenas uma postura religiosa frente ao maligno. Não precisamos nutrir qualquer esperança de testemunhar transformações seguramente positivas naquilo que chamamos de reino desse mundo. Jesus nunca prometeu reformar o mundo que repousa no maligno, mas sendo enfático ao afirmar que “venceu o mundo”, deixou-nos a esperança de sermos transportados para o seu Reino para cumprir a vontade do Pai mesmo enquanto estamos aqui. Ele veio resgatar os filhos de Deus e não aperfeiçoar ou transformar o mundo. E todos aqueles que amam sua vinda estão assentados nas regiões celestiais onde ele habita.

   É quando fitamos nosso olhar para o alto buscando aquelas coisas que Deus nos preparou, e que são desconhecidas do mundo que passamos a ver o mundo como ele é. A busca pelas coisas do alto nos fará desistir de qualquer tentativa de conquistar o mundo e também das atitudes de luta contra ele. Nessa quietude, nesse silêncio, nossa salvação se desenvolverá e a confiança se multiplicará trazendo a vitória para mais perto de nós.  








20/12/2015 08:29

COMO LER E APLICAR OS ENSINOS DA BÍBLIA

  


   É importante para qualquer cristão adquirir certa medida de compreensão do plano de Deus através da bíbliaSeremos mais felizes se examinarmos a Bíblia focando as atitudes divinas em quaisquer mudanças que ele opera em Israel, para daí encontrarmos com mais clareza seu plano para o mundo e a Igreja. A isso chamamos salvação de Deus. E tudo o que foi registrado a esse respeito serve de exemplo para nós. São as misericordiosas intervenções divinas que desvelam o plano redentor e a vontade de Deus para o homem. Esta é uma chave poderosa para conhecermos o caráter divino. Ao contrário das imprecações da lei que distinguem as consequências do erro humano e a má colheita dos povos, toda vez que Deus intervém na história humana, temos uma revelação do seu zelo, cuidado e amor. 
   
   Além da grande importância histórica para todos os povos desde os tempos primórdios até a consumação do plano eterno, há várias profecias por se cumprir e muita simbologia aparentemente indecifrável na Bíblia e por isso muitos desistem de ler as escrituras antigas. Enquanto isso os incrédulos do mundo se aproveitam de nossa ignorância para Zombar da palavra de Deus. Embora sendo a palavra inspirada pelo Espírito santo, existe muito elemento humano envolvido nela e muitos se aproveitam disso para afirmar que a bíblia é um livro escrito por homens. De fato, o temperamento dos homens que a escreveram pode ser facilmente discernido pela mente iluminada que já se familiarizou com sua leitura, mas para um iniciante isso passará despercebido. Sendo assim, não é sensato aceitar opiniões particulares de pessoas que colocam em dúvida a veracidade dos textos bíblicos, com base apenas em um conhecimento intelectual e superficial. Por outro lado, embora seja correto afirmar que toda a bíblia deva ser apreciada como a verdade de Deus, não é sempre que tomamos conhecimento de uma porção de seus escritos que estamos de posse de uma verdade enviada diretamente por Ele.

  Por todas estas razões, para uma leitura mais proveitosa da Bíblia é preciso considerar alguns pontos antes de sair por aí afirmando um falso testemunho. A atenção especial com as interpretações do antigo testamento é o primeiro deles. A visão judaica de sua própria história não tem qualquer valor espiritual para a Igreja a não ser que O Espírito de Deus esteja atuando para revelar algo relevante do ponto de vista da aplicação da justiça que precede a instalação do Reino de amor. Logo, a Bíblia não nos autoriza de maneira nenhuma a promover guerras em nome de Deus. 

  É bom ter a mente esclarecida pela visão que Paulo, judeu legítimo, e cristão genuíno transmitiu em suas cartas, onde deixa claro, que as ordenanças e cerimoniais devem ser reconhecidas como algo obsoleto para nós hoje. Em Cristo recebemos poder para obedecer seu Espírito santo e cumprir a vontade de Deus exatamente porque toda lei se cumpriu nele. Mas isso não significa que devemos menosprezar a antiga escritura. Há ensinamentos ricos e úteis à nossa disposição em qualquer porção da Bíblia, desde que iluminada pelo Espírito para nos edificar. 

  É comum vermos pessoas propagando o ódio, a violência e vingança tendo por pretexto as leis Mosaicas como suposta vontade de Deus para os homens hoje. Mas isso é um engano terrível. Além de demonstrar sua total ignorância bíblica, estas pessoas causam um grande mal a si mesmos e ao mundo. Moisés era um líder político terreno e como tal estava autorizado a impor uma constituição de leis civis ao povo que estava sob sua jurisdição naquele tempo. quando afirmamos que as imprecações da lei envolvendo retaliações olho por olho e dente por dente, envelheceram e não foram deixadas na bíblia para nossa geração, não estamos sugerindo que Deus tenha mudado de ideia no meio do percurso. Estamos afirmando que somente o evangelho é a revelação da vontade de Deus. 

  Uma vez que recebemos algo melhor é inútil voltar à lei que nos condena ao inferno de fogo. João Batista nos revela isto ao declarar pela primeira vez que a lei foi dada por Moisés mas a graça e a verdade nos vêm de Jesus Cristo. E é por isso que ao ensinar sobre Jesus o profeta esclarece que Deus nunca foi visto por alguém, mas o unigênito filho de Deus que está no seio do Pai é quem o revelou. (João; 1.17-18) através da revelação do evangelho, sabemos que a vontade de Deus é Cristo em nós.

  Na verdade as antigas imprecações, representam um retrocesso inclusive para o povo dos dias de Moisés. Foi quando os hebreus rejeitaram os dez mandamentos da lei, e fez para si um bezerro de ouro, que os hebreus caíram nas mãos dos deuses de Canaã ficando sob o jugo dos povos e passaram a ser conduzidos pela mesma constituição de leis civis que regiam os pagãos. Ou seja, esse código de leis antigas, representa, aquilo que o povo recebeu como consequência à rejeição ao sacerdócio espiritual. A lei santa escrita nas tábuas, ou os dez mandamentos são incomparavelmente superiores às leis governamentais dos povos vizinhos. Além do mais, Moisés era terreno e aquele que vem da terra fala da terra, mas aquele que vem do céu fala do céu e é sobre todos.( João 3. 31)

  Portanto, devemos reconhecer que qualquer retorno à lei dos povos deve ser atribuído unicamente ao homem e não a Deus. Embora fazendo parte do texto judeu, as leis de Talião não foram entregues a Moisés diretamente por Deus e sim por intermédio de anjos que governavam os povos rebeldes. Jesus as aboliu incontestavelmente no Sermão do Monte quando nos ensinou sua doutrina, dizendo: "Foi dito aos antigos...Eu porem vos digo..." 

   As leis terrenas são apropriadas para um povo terreno, escravo do pecado e das coisas terrenas. E surgiram no mundo antes de Moisés. Esta constatação tem levado alguns incrédulos a reduzir a beleza dos textos bíblicos na tentativa de anular o valor espiritual de sua mensagem as vezes acusando a bíblia de ser um antigo plágio de fábulas profanas. Eles ignoram a verdade de que todas as semelhanças estão restritas à jurisdição política e terrena aplicada ao malfeitor como qualquer constituição natural. O governo de Moisés nada tem a ver com a governo celestial. É a isso que Paulo se refere quando diz que a lei era o ministério de condenação e não de salvação. É por isso também, que ele afirma que Moisés era de dois mas Deus é um. Ao longo das escrituras dos profetas não há um único registro de incentivo a violência e apedrejamento de pessoas. Os profetas são unânimes ao alertar o povo para retornar à obediência aos dez mandamentos exatamente com o intuito de coibir a injustiça, inimizade e violência.  

  Ao ler o novo testamento junto com os escritos dos profetas você irá perceber que quando o Reino de Deus for estabelecido na terra como está no céu, não haverá guerra, nem inimizade de espécie alguma  por que o Reino de Deus é o Reino do filho de seu amor. É por isso que o ensino espiritual oculto nas histórias das guerras do povo judeu, não pode ser apreendido por uma mente que não foi iluminada pelo Espírito santo. O novo testamento apresenta-nos o Deus supremo e altíssimo como um Deus de amor e Pai de todos. Cremos que quando Ele se revelar ao mundo através dos canais humanos, as guerras cessarão e o amor governará a terra. 

   Mas antes que a paz venha e nós tenhamos alcançado a estatura apropriada para acrescentar o dom do amor de Deus que atua pela fé, será necessário que se cumpra várias profecias relativas ao fim da transgressão humana. Para esse fim recebemos o evangelho de Cristo que nos ensina a sofrer o dano, a pagar o mal com o bem, a emprestar sem esperar restituição, a dar a César o que é de César, amar o inimigo e abençoar os que nos perseguem. O resultado desse novo modo de vida, não será outro senão a glória de Deus enchendo a terra. Paulo afirma isso quando diz que a glória do evangelho é a imagem de Deus. Este evangelho nos salva porque destrói o antigo modo de vida egoísta colocando um fim à semeadura humana e esvaziando o mundo das imprecações da lei de vingança e maldição. Este evangelho é o poder de Deus para quem crê. Quando somos justificados pela fé em Cristo, seu alto padrão de justiça nos é imputado e adquirimos o poder para alcança-lo. É deste poder que nos fala o evangelho. Todas as ações sobrenaturais derivam deste mesmo poder. Mas até chegarmos lá há necessidade de uma lei que force os transgressor a recuar de seus maus intentos. Para isso cada nação tem uma constituição própria, assim como era com os povos antigos. 

  Não acredite em ninguém que venha lhe dizer que a desobediência à bíblia irá levá-lo para o inferno. A bíblia não deve ser para nós os cristãos, o mesmo que a Torá para os judeus legalistas, ou o que o alcorão representa para os muçulmanos. O povo cristão é o único povo da terra guiado por um Espírito vivo e poderoso, que salva, justifica, ensina corrige e alimenta suas próprias ovelhas. Aos poucos você irá perceber que para um cristão legítimo, a Bíblia é mais que um conjunto de leis, ordens e mandamentos que devam ser obedecidos cegamente. O verdadeiro guia é o Espírito que a inspirou. Ele cuidará de você. A leitura simples desse livro promove a lavagem da mente, muda nosso pensamento conformando-o com a maneira de Deus e renova nossa consciência, mas não deve ser decorado como um manual de comportamento. Lembre-se que o Espírito vivifica, mas a letra mata. 

   Existe mais verdade presente na Bíblia do que nossa capacidade de aplicá-la para usufruir de uma vida perfeita e abundante. Mas ela pode ser um manancial de vida para os que estão a caminho da verdadeira espiritualidade, pode ser morte para os mortos, ou se transformar em armadilha nas mãos de fanáticos carnais. É preciso cuidado, sobretudo em não aceitar que ninguém a use como arma para condenar e amaldiçoar você. Foi para te salvar que nos últimos tempos Deus nos enviou o Espírito do filho que nos ensina todas as coisas. Cristo é o seu pastor e salvador, é Ele quem te justifica, é ele quem te alimenta e te ensina. Ele cuida de você.
  
  Para adquirir compreensão do plano de Deus, leia a bíblia inteira com espírito reverente sem se preocupar em compreendê-la de uma só vez. Apenas alimente-se da vida que lhe é concedida através da leitura. Depois leia de novo quantas vezes puder e verá que a cada nova leitura aqueles textos que pareciam incompreensíveis vão sendo iluminados sem qualquer esforço de sua parte. Se você crê em Deus e em Jesus seu salvador, estará livre para ler a bíblia sem ajuda dos teólogos e comentaristas bíblicos sem se prender às doutrinas e tradições humanas. Não é raro perceber o quanto torcemos os textos para reafirmar nossa doutrina predileta. Razão pela qual há tanta divisão, confusão e cegueira no cristianismo. Fuja disso também.

  Busque sempre mais luz sobre as interpretações que abraçou usando a própria Bíblia para interpretá-la e melhorar sua compreensão, mas não caia na armadilha de relativizar a verdade ou escolher por si mesmo o  que deve ser retido ou rejeitado. Revise sempre os textos mais difíceis e leia capítulos completos, para ter uma visão mais profunda sobre o mesmo assunto. Isso evitará que você se transforme em um sectário intolerante mais tarde. Procure sempre a companhia de outros irmãos para compartilhar a vida que recebeu e receba o que eles tem para dividir com você. Ficar sozinho com a bíblia te deixará confuso, ou orgulhoso, ensimesmado e autocentrado. E essa é a melhor receita do fracasso espiritual. 

                                                 A bíblia e a vida cristã 

   
  O ideal é que cada discípulo seja guiado por esta unção que é nos dada gratuitamente como o único guia capaz de nos ensinar a agir com prudência, sensatez e justiça. Somente Ele é capaz de mostrar de maneira clara, como e quando aplicar a palavra vivificada por ele mesmo. Normalmente a palavra do Espírito nos é enviada como ordem juntamente com o poder que nos auxilia a obedecer sem qualquer resistência. Sim, isso é possível e muitos de nós têm vivido tal experiência. 

  Porém, se por alguma razão, esse poder não tenha sido revelado ainda a você, você pode agir movido pela fé inicial que o capacitará a cumprir aquilo que é específico à sua estatura. Receba com gratidão os ensinos que lhe chegam como leite espiritual. Seja expectante e Deus os enviará a você progressivamente. Seja corajoso agindo de maneira a se aproximar o máximo do sentimento e ação de Jesus Cristo. Se contudo não conseguir, ore, se arrependa e tente de novo, mas aplique o evangelho em sua vida pela fé até que possa ser guiado pelo espírito para amar como Jesus amou. Caso sinta-se sozinho nesta caminhada, saiba que nas escrituras dos profetas e cartas dos apóstolos você encontrará exatamente o que precisa para seguir sua vida cristã livre de tropeços por que a vida será transmitida a você. Mesmo que não tenha um discipulador por perto, ou um exemplo humano a ser seguido confie em seu redentor e não recue. Se você não se apartar da doutrina dos apóstolos, toda a bíblia será de grande utilidade na aplicação prática do evangelho em sua vida. 

   Quando o Espírito falar com você através da palavra, invariavelmente uma sensação imediata de alívio e saciedade sobrevirá ao seu coração, inclusive quando for constrangido a se arrepender. E aquilo que for operado em seu interior será definitivo. O mesmo não acontece quando a repreensão é transmitida por via meramente humana. Porque quando O Espírito fala, a palavra de ordem chega com poder completo, trazendo ao seu coração o senso de justiça necessário para efetuar o que lhe é requisitado. É como um registro que não se pode apagar. Descanse nessa graça e jamais se sentirá sozinho no caminho, jamais terá fome ou sede.  

Algumas vezes pode acontecer de Deus não enviar uma palavra quando você a aguarda ansiosamente e você se verá sem força suficiente para cumprir a vontade dele em situações difíceis. Mas lembre-se: Ele jamais te desamparará. E não permitirá que você enfrente tentações maiores que sua capacidade de suportar. Juntamente com a tentação virá o escape. Se possível, divida com um irmão suas dificuldades, mas não se esqueça: Sua vida cristã é vivida em secreto com Deus. Ninguém pode vivê-la para você.

 

Ivaneide Aquino
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