Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. (I João 2:15.16)

   O conhecimento da verdade nos liberta da escravidão de um gigantesco sistema conhecido no novo testamento como poder do mundo tenebroso ou sistemas do principado das trevas. E enquanto pertencemos ao mundo, somos influenciados pela natureza, pelo clima, pelas leis da física pela política, economia e religião. O mundo como o vemos, governa nossa alma desde que caímos na crença do reino do mundo. De forma muito natural e espontânea nos apegamos ao sistema da mentira e a lei do pecado se apegou a nós, mas este mundo da aparência que passa, não é o Reino de Deus, Não há verdade nem sabedoria nele. Nós não somos do mundo, a eternidade está em nosso coração. Somos propriedade de Deus. É por isso que sempre que nos voltamos para este mundo ficamos insatisfeitos.

   Não nos enganemos. Somente aqueles que aprendem a manter sua atenção nas coisas do Espírito podem usufruir da verdadeira liberdade e conhecer a verdadeira alegria. Porque somente nesse tipo de pessoa haverá lugar para a verdadeira satisfação que vem de Deus. Toda vez que abaixarmos nosso olhar perderemos a  chance de andar sobre as águas e  Cristo se levantará para nos dizer que o seu Reino não é deste mundo.

  A necessidade de abandonar nossas esperanças no reino do mundo para obtermos uma experiência da vida de Deus e seus desdobramentos, é o segredo de todos os profetas e santos que pavimentaram o caminho antes de nós. Mas isso parece algo cada vez mais distante de nossa realidade quanto mais o tempo de nossa redenção se aproxima. Isso é assim, porque após algum tempo andando por fé, a certa altura da caminhada, as seduções incidem contra nós com maior força. À medida que o tempo avança aqueles que estiverem atentos perceberão o quanto é necessário se refugiar em Cristo. Outros se deixarão vencer pelo mundo. 


  Todos os que foram despertados do sono, viveram a experiência de ter os olhos do coração iluminados por Cristo e aqueles que em certa medida centralizam Cristo em suas buscas, encontraram segurança, proteção e paz, mesmo em um mundo combalido pela desesperança, corrupção, declínio social e guerras. É em meio a situações extremas que temos a oportunidade de perceber que embora o evangelho tenha sido apresentado para nós apenas como uma doutrina mais perfeita, ele é de fato a manifestação da imagem do filho de Deus.
  
 Circunstâncias fortuitas produzidas pelo mal no mundo transformam os períodos mais terríveis de nossa experiência humana em ricas oportunidades de conhecer que o evangelho é o poder de Deus para todo que crê. A maior experiência dos que são nascidos de Deus é vencer o mundo se movendo nele sem pertencer a ele, sem se deixar afetar por seus males ou se render aos prazeres que há nele. Pois nem o desejo desenfreado da carne, nem a cobiça dos olhos ou a soberba da vida, vem do Pai, mas vem do mundo. Se ainda classificamos as coisas do mundo entre boas e más, aceitamos como bondade o que o mundo reconhece como sendo bom e rejeitamos o que o mundo considera mau e pernicioso, estamos presos ao reino do mundo, guiados pelo principado que atua no mundo e não vimos o Reino de Deus. Nossa rendição a Cristo implica peremptoriamente em vencer o mal e o bem do mundo pela fé na verdade.

  Muitos de nós sentem-se aborrecidos com o pensamento corrente mundano, mas poucos compreendem que quando Jesus falou sobre as aflições que teríamos no mundo, ele estava nos identificando com ele em suas aflições, deixando-nos a esperança de vencermos o mundo pela fé.  É na força do Espírito que está a nossa força. Nossa fé é o poder que vence o mundo, e esse poder será cada vez  mais constante e eficaz, quanto maior nossa certeza que a vida que recebemos é a vida de Deus se movendo em nós. O quanto isso é verdadeiro para mim e para você, determinará nossas reações frente ao bem e o mal e será o um medidor fiel do quanto amamos o que há de bom no mundo ou tememos infortúnios dessa vida. No homem que ama o mundo não está o amor do Pai, de igual modo, aquele que teme os poderes desse mundo, ainda não aprendeu a confiar no Cristo que recebeu. 

   Temos o dever de expandir o Reino do céu enquanto estamos aqui. Mas voltar-nos para o mundo com o intuito de corrigir suas incongruências, demonstrará apenas uma postura religiosa frente ao maligno. Não precisamos nutrir qualquer esperança de testemunhar transformações seguramente positivas naquilo que chamamos de reino desse mundo. Jesus nunca prometeu reformar o mundo que repousa no maligno, mas sendo enfático ao afirmar que “venceu o mundo”, deixou-nos a esperança de sermos transportados para o seu Reino para cumprir a vontade do Pai mesmo enquanto estamos aqui. Ele veio resgatar os filhos de Deus e não aperfeiçoar ou transformar o mundo. E todos aqueles que amam sua vinda estão assentados nas regiões celestiais onde ele habita.

   É quando fitamos nosso olhar para o alto buscando aquelas coisas que Deus nos preparou, e que são desconhecidas do mundo que passamos a ver o mundo como ele é. A busca pelas coisas do alto nos fará desistir de qualquer tentativa de conquistar o mundo e também das atitudes de luta contra ele. Nessa quietude, nesse silêncio, nossa salvação se desenvolverá e a confiança se multiplicará trazendo a vitória para mais perto de nós.